Cozinha de Lavoisier

Na cozinha nada se perde, nada se cria: tudo se transforma.


Leave a comment

Seis itens fundamentais em sua cozinha – e mais algumas diquinhas!

Sem pânico! Vou te ajudar a ter na geladeira exatamente o que você precisa. Foto: Adrien Ehrhardt

Sem pânico! Vou te ajudar a ter na geladeira exatamente o que você precisa. Foto: Adrien Ehrhardt

Esse post vai ser um pouquinho diferente do que sempre acontece aqui porque não vai ter receita. É, não vai. Mas vai ter algumas dicas bacanas e que talvez sejam aquele pontapé inicial para que você consiga sair do ciclo vicioso miojo-comida congelada-delivery e comece a encarar a cozinha com mais carinho e descobrir o prazer de preparar seus próprios alimentos!

Muita gente, quando me vê postando fotos dos almoços e jantares que eu costumo comer no instagram, me pergunta como eu tenho tempo de preparar minhas próprias refeições no meio da rotina atribulada que tenho. Simples: organização e planejamento. Muita gente me diz que não tem tempo de ir ao supermercado e desanima na hora de cozinhar. Muita gente também me diz que não sabe por onde começar, o que ter na cozinha, o que comprar. Gente, escutem a tia Mari: não adianta correr para cozinha em desespero na hora da fome e não encontrar nada e se render ao que aparentemente é mais fácil. Também não adianta sair entupindo a geladeira de coisas que você não vai comer e vão acabar estragando (tem gente que curte gerar vida né? Deixa os alimentos tanto tempo na geladeira que quando vai olhar tem uma floresta inteira de fungos e outras coisas nojentas!). Com calma e jeitinho tudo vai dar certo. Quer saber como?

Planeje suas refeições com antecedência

Um bom planejamento vai de livrar de vários sufocos.

Um bom planejamento vai de livrar de vários sufocos.

Quantas refeições você faz em casa por semana? Elas são de que tipo? Lanche, jantar, café da manhã? É importante saber direitinho sua rotina para saber o que comprar no mercado (para tudo mais na vida, ok?). Se você não almoça em casa durante a semana, mas janta e toma o café da manhã, vai investir em um tipo de alimento. Terá que ter, por exemplo, pão para fazer sanduíches leves a noite e torradas no café da manhã. Parece papo de gente chata, mas essa é uma coisa muito importante. Conhece-te a ti mesmo, criatura! Honestidade sobre seu cotidiano só vai fazer você ganhar pontinhos na vida. E será que não dá para trocar aquele café da manhã corrido na padoca por um feito em casa? (;

Conhecendo as refeições que você fará em na sua linda residência, pense na frequência que você irá ao supermercado. Come muito em casa? Uma vez por semana (eu faço assim) ou até mais. Come pouco? A cada 15 dias talvez seja o suficiente. Eu não recomendo que você faça compras mensais como sua mãe fazia se você mora sozinho: provavelmente as coisas irão estragar e você vai ficar sem mantimentos antes do esperado. E tem coisas que precisam ser fresquinhas. Eu sei que muita gente odeia ir ao mercado, mas eu acabei descobrindo que é mais fácil ir muitas vezes e comprar poucas coisas. Você pode usar  a fila de 10 volumes. Você pode tentar em em horários “alternativos”, quando não está tão cheio. A vantagem? Poucas coisas para carregar, conhecer o preços e aproveitar as promoções de momento.

Coma o que você gosta, mas varie sempre

Coma o que você ama mas tente coisas novas também!

Você pode descobrir que gosta de coisas que nem imaginava se tentar!

Tem gente que não sai da zona de conforto nunca. É a mesma comida sempre. O mesmo pão com queijo e presunto, o mesmo suco de caixinha (arght!), o mesmo macarrãozinho. “Ah, eu só sei fazer isso!”. Pô, aí é mesmo fácil entender porque você não anda cozinhando muito. Por mais que sejam comidas que você ama, se comidas com muita frequência cansam né? Se arrisca criatura! O paladar precisa de carinho. Tem gente que ao contrário, sai experimentando tudo que acha pela frente nas gôndolas do mercado e acaba entupindo os armários e a geladeira de produtos que não gosta. Minha dica é: compre o que você gosta, mas tente de vez em quando ir experimentando novas coisas. Mas nunca compre o que você odeia! Adora cereal no café da manhã? Que tal trocá-lo por aveia e castanhas? Gosta de um pãozinho? E que tal substituir as vezes por tapioca? Batata te sacode? E que tal mandioquinha? É divertido ir descobrindo novas coisas.

Temperos, sal, azeite…

Gente, a comida não fica gostosa do nada. Nem adianta se enganar e entupir ela de temperos prontos (ecaa!) ou caldos industrializados (ecaaa!). Para cozinhar você vai ter que ter em casa algumas coisinhas que são usadas em praticamente todas as receitas, de ovos mexidos a um risotto lindo. Eu me assusto quando vou cozinhar na casa de alguns amigos e não encontro absolutamente nada, mal tem sal. Gente! Como que vocês querem que as coisas tenham gosto? Milagre? O básico é sal e pimenta do reino. Se eu fosse você eu investiria seriamente em um moedor de pimenta. A pimenta moída na hora tem um sabor e um aroma maravilhoso e que faz toda diferença na comida! De verdade, gente. ❤ Sal? Uso comum em quase tudo. Mas e flor de sal, sal rosa do Himalaia, sal preto do Havaí, sal extraído do peido de pôneis alados virgens do alto das colinas? Bom, esses sais são ricos em minerais bacanas para nosso corpo. Mas também costumam custar bem caro. O sabor é o mesmo, salgado. A função também, salgar a comida. Se você puder – e quiser – usá-los, maravilha. Seu corpinho agradece. Mas eu considero esse um investimento, não é necessário.

Invista em um bom azeite extra virgem.

Invista em um bom azeite extra virgem.

O que é necessário mesmo é um bom azeite extra virgem, que vai servir para milhões de coisas, como temperar sua salada, grelhar carnes, acompanhar massas. Além de ser bom para sua saúde. E manteiga. Tenha manteiga na sua geladeira. Manteiga vai no pão, vai em preparo de massas, doces, bolos… manteiga é uma das bases da vida. Serião. E antes que comece o chorume, pode comer sem medo. Ela não faz tanto mal como as pessoas acreditavam. Limão, alho e cebola também são importantes demais. Estragam dificilmente, a cebola pode ser conservada na geladeira por um tempão (mas não vai comprar cinco mil e deixar estragar, né?). Por fim eu teria sempre noz moscada, louro, alecrim, orégano, curry. Na verdade você vai ver que os temperos desidratados se multiplicam na despensa (e isso é bom). Custam baratinho, você compra para uma coisa e tem basicamente para outras mil! Eu adoro essa parte do supermercado. Que tal ir comprando um tempero diferente a cada vez que for? Já os frescos essenciais são salsa, cebolinha e manjericão. O chato é que eles duram no máximo 3 dias na geladeira, o que realmente é bem difícil para quem mora sozinho. A solução? Não compre, plante! Eles vivem de boa em pequenas hortinhas, que podem ser feitas até em latinhas, e você vai ter suas ervas sempre fresquinhas. Não tem mesmo como plantar? Congele em cubinhos de gelo com água ou azeite. Não vai servir para salpicar fresquinho sobre um prato, mas pelo menos vai tranquilamente na comida.

Tenha vasilhas plásticas e ame seu freezer

Vasilhas plásticas e saquinhos do tipo zip lock ajudam muito.

Vasilhas plásticas e saquinhos do tipo zip lock ajudam muito.

Parece bobagem, mas se você mora sozinho seu freezer deve ser um de seus melhores amigos. Motivo? Ele conserva por meses (m-e-s-e-s) aquela comida que você fez hoje. Agora, se você tem vasilhas plásticas pequenininhas, olha a mágica! Você cozinha um dia, divide nas vasilinhas (porção para 1, para descongelar uma por refeição) e voilà. Nunca mais lasanha congelada sem gosto! Você terá sua própria comida caseira gostosinha. Gente, dá para congelar quase tudo. Sopa, feijão, carne, legumes… Além das vasilhas, tenha sempre por perto papel alumínio, filme pvc e saquinhos de congelamento que também podem ir ao micro-ondas. Se forem aqueles que fecham sozinhos então, melhor ainda! Eles também vão te ajudar a conservar por mais tempo seus alimentos sem que eles fiquem ressecados, estraguem e saiam pegando o gosto de tudo que tem na geladeira.

 

Mas afinal, o que ter sempre no armário e na geladeira?


Bom, eu falei para você comprar o que gosta, né? Mas mesmo assim eu fiz uma listinha de seis grupos de alimentos coringas que são versáteis e salvam vidas. Tê-los por perto significa que você terá sempre uma alternativa prática e funcional na hora da fominha, seja em que refeição for.

1 – Ovos

Ovos são coringas e podem virar refeições completas!

Ovos são coringas e podem virar refeições completas!

Mexidos, fritos, cozidos e até assados. Dando aquela força na salada, no sanduíche, no prato do almoço. Omelete, crepe. No preparo de massas, bolos… os ovos são tão fundamentais e você pode prepará-lo de tantas maneiras (eu adoro fazer moqueca, por exemplo!) que não podem faltar na sua geladeira. Mas se você mora sozinho compre plaquinhas de 6 unidades por vez, ok? Não precisa estocar o galinheiro todo em sua casa.

2 – Macarrão e cia

Macarrão é rápido e não pode faltar em sua cozinha!

Macarrão é rápido e não pode faltar em sua cozinha!

Quando eu falo macarrão não estou querendo dizer miojo, ok humano? Macarrão deve ser a comida preferida de quem mora sozinho (ah vai, é fácil, rápido e você faz na quantidade certinha). Mas invista em massas boas, já que você vai comer isso bastante, né? Tenha sempre uma caixinha de massa longa e uma de massa curta em casa. Basicamente você precisa saber que para massas, cada tamanho e o formato combina melhor com um tipo de molho. As massas curtas como penne e parafuso vão bem com molhos cremosos e molhos mais rústicos, com pedacinhos de coisas. Isso porque elas tem aquelas curvinhas e dobrinhas que absorvem bem esses pedacinhos. Elas também são bacanas para saladas, uma boa alternativa para um jantar leve, por exemplo. Já as massas longas costumam gostar de molhos mais líquidos, com base de azeite, tomate ou manteiga. Isso porque eles envolvem bem os fios longos, espalhando sabor pela massa toda.

Tá com pressa? Troque o miojo pelo bifum.

Tá com pressa? Troque o miojo pelo bifum.

Se você realmente não consegue esperar os 10 ou 7 minutos de cozimento da maior parte dos macarrões que achamos no mercado (sério?) e busca coisas muito rápidas, invista no bifum, aquele macarrão de arroz japonês. Ele fica pronto mega rápido (nem precisa colocar na água fervente como o macarrão tradicional) e está na moda porque não tem glúten. Eu já ensinei uma maneira de fazer aqui. Para molho, além do azeite e manteiga que agora você já sabe que tem que ter em casa, uma boa é ter sempre umas latas de tomate pelado. Tomate pelado vira molho rapidinho, como eu já ensinei aqui! E molho gostoso. Melhor que ter aqueles de pacotinho sem graça. Também é bom ter sempre um potinho de pesto. É só misturar na massa e foi! Por fim tenha sempre um pedaço de queijo parmesão e um ralador. Nada de queijo de saquinho com gosto de bufa. Você não vai cozinhar uma massa toda delícia, toda gostosa, para depois jogar bufa em pó por cima, não é?

3 – Legumes amigos
Esse é o maior desafio da minha vida. Eu como muitas, muitas verduras e folhas. Mesmo assim não dou conta de uma alface inteira sem que ela estrague. Depois de muito tentar, a verdade é que apenas uma opção tem funcionado comigo: aquelas folhas já higienizadas e vendidas em saquinhos. Elas vem em quantidades menores e duram mais. Dá para abrir, comer e guardar o pacotinho, comer novamente mais umas duas vezes. Evita o desperdício, mas tem que ser malandro. Não adianta se enganar e entupir a geladeira delas, compre uma por vez. Ou alface ou rúcula. E coma! Salada, entrada, guarnição, no sanduíche.

Prefira as saladas já higienizadas e embaladas, elas duram mais. Os vegetais podem ser pré-cozidos e congelados em casa mesmo.

Prefira as saladas já higienizadas e embaladas, elas duram mais. Os vegetais podem ser pré-cozidos e congelados em casa mesmo.

Outra coisa feliz de se ter são legumes que você pode pré-cozer e congelar. Brócolis, espinafre, ervilhas, cenoura… assim você não desperdiça e se congelar pequenas porções em saquinhos é só descongelar no micro-ondas ou panela a vapor. Como preparar? Joga os legumes em água fervendo por uns 3 ou 4 minutos (depende se ele é muito duro ou não) e depois joga em uma tigela com água e gelo para interromper a cocção. Escorre, deixa esfriar e congela. Voilà, a fonte dos legumes eternos!

4 – Frios e laticínios 

Queijo e presunto, além de rechearem um ótimo sanduíche, também podem ir para mesa de outras formas.

Queijo e presunto, além de rechearem um ótimo sanduíche, também podem ir para mesa de outras formas.

Queijo, presunto, salame, mortadela. Além da função obvia deles, que é compor um lindo sanduíche, os frios podem quebrar o maior galho em uma série de outros pratos. Mini-pizza de pão sírio, lasanha rápida, o caneloni fake que eu ensinei aqui … realmente eles são úteis. Leite, iogurte e creme de leite também são uma boa pedida. Para o leite não estragar, compre-o em pó (e compre o líquido apenas quando souber que irá usar em alguma receita). O creme de leite pode ser um verdadeiro coringa em vários molhos e pratos. Quando ao iogurte, prefira o natural. Eu sei, muita gente acha que ele não é tão gostoso quanto as outras opções com milhares de sabores que encontramos por aí, mas você pode adoçá-lo como quiser e misturar a fruta que quiser, o que o torna muito mais versátil. E o melhor: pode usar também para pratos salgados, saladas e molhos. Amigão, né?

5 – Carne, frango e peixe

Bife de panela
Quem mora sozinho muitas vezes tem medo de preparar carne em casa. É, nem sempre é fácil acertar pratos envolvendo esse tipo de proteína, mas eu tenho certeza que todo mundo consegue fazer bifes grelhados e assados. Eu já ensinei uma receita de peixe no papelote bem fácil aqui  , uma carne de panela aqui e um bife  aqui, mas prometo (e me cobrem!) mais receitas assim no futuro, mas enquanto elas não vem, vou contar o ziriguidum de como comprar carne. Na maioria dos supermercados, ao lado da prateleira onde já ficam as carnes, frangos e peixes em bandejinhas, tem um açougue e uma peixaria. VÁ LÁ. Sério. Aquelas bandejinhas parecem legais, mas normalmente são planejadas para famílias de quatro pessoas, ou seja, vai sobrar carne. E aí você vai ter que congelar e vai ficar sem querer descongelar depois para preparar. Dica: vá lá no açougue (ou em um de verdade) e explique para o açougueiro o que você deseja. Ele vai te dar a quantidade ideal.

Cortes de primeira são mais macios e ideais para assados, grelhados e bifes!

Cortes de primeira são mais macios e ideais para assados, grelhados e bifes!

Quanto aos cortes, é simples. Carnes de primeira e de segunda nada tem a ver com a qualidade da carne – uma carne de primeira pode ser ruim se o boi for ruim! – e sim com maciez. A de primeira é mais macia e a de segunda é mais dura, mas ambas são saborosas. Só que a de segunda exige uma cocção com líquidos, para adicionar sabor. Não tem muita habilidade e quer fazer um bifinho? Escolha carnes de primeira: filé mignon, contrafilé, picanha, alcatra e maminha, por exemplo, são cortes ideias para assados, grelhados, bifes e churrasco. No frango as coxas e sobrecoxas costumam ser mais suculentas que o peito, que por ter uma quantidade menor de gordura é mais ressecada. Mas se você vai fazer um filé, pode pedir para o açougueiro já fatiar o peito para você! E cuidado: não existe frango mal-passado. Ele deve ser sempre bem cozido para evitar que você tenha um piriri por causa da salmonella.

6 – O pão nosso de cada dia… hoje não!

Couscous marroquino: mais camarada que miojo!

Couscous marroquino: mais camarada que miojo!

Pão é bom e todo mundo gosta. Ou quase todo mundo, tem uma galera meio louca antenada com dietas bobas da moda que resolveu abolir o glúten da alimentação e com isso o pãozinho também. O caso é que pão fica duro ou estraga. Sério. Você compra pão francês e ele… fica duro. Então você compra pão de forma e basta se distrair um pouco que colônias de fungos resolvem habitá-lo. A solução? Bom, quando alguém descobrir me conta. Mas tem duas coisas que podem ser feitas: aproveitar o pão ao máximo e substituí-lo por outras alternativas. Para aproveitar bem o pão basta usar a cabeça. Ele pode virar sanduíche de forno, matéria base de tortas rápidas, torradas (essas sim duram muito!), mini-pizzas. Opções que, por sinal, você pode comer também no almoço! Mas nem só de pão vive o homem, né? Tapioca, couscous marroquino (em breve farei um post só sobre ele, que para mim é a maior benção do universo), polenta, batatas e cuscuz de milho também são ótimas opções. Eles podem ser combinados com vários recheios e tem uma vida útil maior que a do pãozinho.

 

Ajudei? Bom, é claro que a alimentação é uma coisa muito pessoal e varia de pessoa para pessoa, mas eu acredito realmente que esses seis grupos fazem parte da base de todo mundo e dessa forma você consegue manter uma alimentação mais saudável e mais caseira, sem apelar tanto para pacotinhos, deliverys e comidas congeladas. E seguindo o planejamento e as dicas, nunca vai passar sufoco e encontrar a geladeira e o armário vazios! Se mesmo depois de tudo que eu falei vocês ainda tiverem alguma dúvida não pensem duas vezes: perguntem aqui nos comentários. (:


Leave a comment

Caneloni fake e a importância de colocar cada coisa em seu lugar

IMG_0559

Quando eu comecei esse blog estava passando por um perrengue danado e queria transformar isso em uma situação positiva. A ideia era compartilhar meus malabarismos na cozinha e como eu estava me virando com pouca grana. Eu expliquei no primeiro post desse blog e explico de novo: comida é uma coisa muito importante para mim. Sou dessas que precisa comer comida de verdade, feita por humanos, em panelas. Nada de pacotinhos, saquinhos e caixinhas. Sem muito dinheiro isso parecia difícil, mas na verdade não é. Para ser sincera, eu economizo muito mais preparando eu mesma minhas refeições. Naqueles dias eu não sabia nada de nada (e ainda não sei), mas sabia agir na hora da fome, mesmo com pouquíssimos ingredientes na geladeira. E era esse conhecimento que eu queria dividir. Pois bem, um ano e meio depois, quanta coisa mudou! O perrengue financeiro passou (yay!) mas não abalou a fome pelo universo culinário. O blog, falar de comida com as  pessoas, cozinhar cada vez mais (dessa vez refletindo, para contar pra vocês) foram me ajudando a compreender o que eu tinha que fazer: estudar.

É engraçado como a vida as vezes corre por caminhos que não imaginamos. Cá estou eu, Mariele, 26 anos, jornalista e… estudante de gastronomia! Apenas no primeiro mês completo de aulas, mas já de frente para um mundo de possibilidades deliciosas (literalmente). Claro que nessa correria para manter a vida dupla e ainda deixar o meu lar e vida pessoal em ordem, sem esquecer de cuidar e amar minha gatinha Brigitte (nho!) fica realmente complicado fazer, fotografar e postar receitinhas aqui. Aliás, vamos combinar que frenquência de postagens nesse blog nunca foram meu forte. Mas as boas notícias são que estou lendo muito, estudando muito, treinando muito, conversando muito com pessoas bacanas e em breve, assim espero, isso aparecerá por aqui em forma de coisinhas gostosas.

Enquanto isso a vida tem me mostrado muitas coisas novas. Nas aulas, vou entendendo que eu realmente não sabia nada e tem muito para aprender. Isso é bom, de verdade. Só me motiva mais e mais! Cozinhar bem em casa é diferente de cozinhar profissionalmente e quando eu me propus a mergulhar nesse universo foi justamente para isso, para deixar de ser uma boa cozinheira de fins de semana e me tornar uma cozinheira de verdade. Estou aprendendo técnicas, bases, fundamentos. Estou sentindo uma alegria que não sei descrever. E de quebra  tenho aprendido lições que extrapolam a cozinha.

Nas aulas – como em uma cozinha de verdade – trabalhamos em grupo. Cada um tem uma função, que vai desde ser o sous chef (que ajuda o professor, que é o chef, a comandar a aula) até lavagem (que limpa os utensílios usados nas demonstrações e preparos coletivos) e lixo (que literalmente recolhe o lixo). Além disso as produções do dia são feitas em trio. É preciso entender isso. É preciso entender que mais importante que “acertar” a preparação do dia e ter uma nota bacana é acertar “na vida”, é entender a técnica nova que estamos aprendendo e nunca mais esquecer, para conseguirmos reproduzir aquilo para sempre, no contexto que for. É preciso conseguir lidar bem com todo mundo porque você não está cozinhando sozinho e provavelmente não cozinhará sozinho quando for trabalhar com isso. É preciso ter concentração, calma, ser limpo e organizado. E principalmente organizado.

Eu fiquei feliz em saber que já sabia disso intuitivamente. Eu sempre começo as receitas aqui no blog falando para “deixar tudo prontinho para preparar a receita”. Sabem quando eu falo para já picar o que deve ser picado, cortar o que deve ser cortado, derreter o que deve ser derretido, untar as formas, preaquecer o forno, juntar todos os utensílios que serão usados, etc? Sabem quando eu digo para deixar tudo separadinho para não ter que pegar um ingrediente no meio da receita e desandar tudo? Nas aulas eu aprendi que isso tem um nome: mise en place.

Mise en place, em francês, significar colocar no lugar. Organizar o trabalho antes de começar a executá-lo. Parece frescura né? Mas não é. Até porque para fazer isso é preciso conhecer a receita, refletir um pouquinho, pensar no que será feito e em cada etapa do preparo. E isso faz com que você saiba os detalhes de cada produção e dificilmente erre. Por isso fica tudo maravilhoso. E olha, se eu já sabia disso intuitivamente, comecei a perceber a importância dessa atitude reflexiva fora da cozinha também. Planejar as atividades, pensar um pouquinho antes de agir não faz mal nenhum para ninguém, pelo contrário. Ser organizado só ajuda.

IMG_0549

Mas eu estou me prolongando muito no papo e hoje tem receita! É um canelone fake, para fazer naquelas horas de aperto e fome. Fake, porém digno – e que não me julguem os puristas da culinária italiana. Sabe aquele queijo e presunto que você tem sobrando na geladeira? Não faz sanduíche não, cata uma massa de lasanha fresca pronta e vamos fazer uma refeição completa! O segredo? O molho de tomate caseiro rústico, que fica pronto rapidinho e faz toda diferença não só nesse, mas em qualquer massa que você fizer em casa. Vamos ver?

Ingredientes (Canelone fake):

• 1 pacote de massa de lasanha fresca (é, aquelas do supermercado, fica na parte de refrigerados!)
• Queijo mussarela em fatias
• Presunto em fatias

Modo de Preparo:

• Separe o queijo, o presunto e a massa e uma superfície limpa (eu usei uma tábua) onde você possa manipular seus canelone
• Na superfície, coloque uma fatia de massa, uma de queijo e uma de presunto, assim uma sobre a outra
IMG_0497 IMG_0499
• Enrole até formar um canelone
IMG_0501 IMG_0507 IMG_0515IMG_0517
• Coloque em uma assadeira ou forma que possa ir ao forno e reserve
IMG_0519
Ingredientes (Molho de tomate):
• 1 lata de tomates pelados (bem mais fácil, dica!) ou 400 g de tomates extremamente maduros (madurões!) sem pele e sem sementes
• 1 dente de alho picadinho
• 1/2 cebola picadinha
• Azeite de oliva
• Manjericão fresco
• Sal e pimenta do reino
IMG_0521
Modo de Preparo:
•  Leve o azeite e o alho ao fogo até que o alho comece a ficar dourado. Adicione a cebola e deixe tudo suar um pouco
IMG_0525
• Junte o tomate. Se for usar o tomate em lata (recomendo), basta colocá-lo com gosto na panela. Se for usar o tomate maduro, corte-o em cubinhos (não esqueça de tirar as sementes e a pele nesse caso!)
IMG_0529
• Deixe cozinhar em fogo baixo até que o tomate se desmanche totalmente. Se precisar, vá colocando água aos pouquinhos durante o cozimento. Mas não é para ficar aguado, hein?
IMG_0532
• Quando estiver bem cozido, com aquela textura e consistência de molho (ainda que com alguns pedacinhos, é assim mesmo!), acrescente o manjericão e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Só coloque o manjericão quando o molho estiver quase pronto ou no lugar de ter um molho super cheiroso e delícia você vai ter um molho com umas folhinhas escuras e quase cheiro nenhum. Vão por mim!
• Esse é um molho rústico e os pedacinhos de tomate e outros ingredientes dão um charme. Mas se você não quiser esses pedacinhos, processe o molho. Mas nada de liquidificador! Use uma peneira larga ou algo assim, bater o molho de tomate no liquidificar deixa ele esquisito

Finalização:
• Coloque bastante molho (sem piedade!) sobre os canelones e polvilhe queijo parmesão ralado (nada de queijo de saquinho com gosto de pum, por favor rale seu queijo! Ou compre aquele ralado do supermercado!) sobre tudo
IMG_0541
• Leve ao forno baixo (180 ºC), preaquecido, por aproximadamente 30 minutos
• Voilà, está prontinho para ser saboreado!
IMG_0564


Leave a comment

Cookies de aveia e mel

Cookies de aveia e mel

Cookies de aveia e mel

Eu tenho uma novidade(zinha) que vai ser muito importante para o rumo das coisas de agora em diante. E ela vem dividida em duas partes, uma boa e uma nem tanto. A notícia é (bacana): comecei essa semana o curso superior de tecnologia em gastronomia na Anhembi Morumbi! Ou seja, estou de volta à sala de aula, de caderninho, dolmã e facas (yay!). A parte boa é que agora eu vou saber o que estou fazendo e poder explicar direito as receitas que posto aqui ter mais propriedade para escrever sobre comida, o que vai melhorar bastante as receitas que aparecem por aqui. Também vou aprender as true técnicas de cozinha (hoje já tivemos aula de corte clássico e meus dedos estão classicamente estropiados), o que vai ser muito bacana para todo mundo porque eu sou dessas que compartilha as coisas (como vocês podem ver aqui). A parte ruim é que tenho que acordar na madrugada boladona, tenho aula a manhã inteira e trabalho parte da tarde/noite/madrugada, ou seja, as postagens aqui não serão tão assíduas como eu gostaria.

IMG_0438

Mas vamos ao que interessa? Essa receita. Eu tenho feito bastante esses cookies porque são práticos, baratinhos e dá para guardar em potinhos. Eu levei para o trabalho para lanchar, compartilhei com os coleguinhas e todos gostaram. Como ele é integral (pelo menos eu faço ele assim, vou explicar como fazer a versão “refinada” também), dá aquela segurada bacana na fome. Se você comer junto com uma frutinha então, sucesso. Dá para ficar de boa na rua, na chuva e na fazenda. Também dá para comer no café da manhã, em casa, onde você quiser. Com café, com suco, com chá, com leite, puro… enfim, puro amor em forma de biscoitinhos. Essa receita rente aproximadamente 15 cookies. Se quiser mais, dobre a receita ok? Vamos lá?

IMG_0427

Ingredientes

• 1 xícara de aveia
• 1 xícara de farinha de trigo integral (pode ser da comum, mas você terá um biscoito comum, ok?)
• 1 xícara de açúcar mascavo (pode ser o comum, a mesma coisa que disse acima, hehehe)
• 2 colheres de sopa de mel
• 1 colher de chá de fermento
• 1 colher de sopa de manteiga derretida
• 1 ovo

IMG_0430

Modo de Preparo

• Comece separando seus ingredientes e deixando-os todos prontinhos para fazer o prato. Isso inclui untar as formas que você vai usar para assar, hein galerinha? E também derreter a manteiga! Eu sempre digo isso aqui, né? Parece bobagem, né? Sou chata né? Pois meu professor não para de repetir na aula: organizado e limpo. Agora que eu sou metida sei que não estou falando bobagem mesmo, confiem. Muitas vezes as receitas dão errado porque as criaturinhas não separam os ingredientes antes, ai ficam procurando pela cozinha, ai perdem tempo, ai esquecem algo, ai deixam cair alguma coisa… vamos fazer tudo bonito? É melhor!

• As forminhas ideais para assar biscoito são as que não tem as bordas laterais, aquelas baixinhas, sabe? Eu não tenho dessas. Notei que os biscoitos ficam meio mal-assados no centro (e queimadinhos embaixo) quando uso as formas normais. Eu resolvi isso virando a forma ao contrário e assando os biscoitos no fundo. Parece loucura, mas dá certo! Você pode tentar assim em casa ou assar na forma normal mesmo. Elas devem ser cobertas com papel manteiga. Vai facilitar muito sua vida na hora de tirar os biscoitos da forma e limpar tudo. Não tem papel manteiga em casa? Não tem problema. Nesse dia em que fiz as fotos eu também não tinha. O jeito é untar a forma com manteiga e farinha mesmo, igual você untaria para um bolo.

• Preaqueça o forno a 180 ºC.

• Em uma tigela grande (para você poder misturar tudo sem dramas) despeje a aveia e a farinha de trigo.

Despeje o trigo...

Despeje a aveia…

... e a farinha de trigo!

… e a farinha de trigo!

• Depois coloque o fermento e o açúcar mascavo!

Coloque o açúcar e o fermento!

Coloque o açúcar e o fermento!

• Misture bem com uma colher ou espátula e quando estiver uniforme, faça um “buraquinho” no meio, para facilitar quando for misturar os ingredientes molhados.
Misture tudo até ficar uniforme!

Misture tudo até ficar uniforme!

• Agora coloque o mel (com cuidado) e a manteiga derretida. A manteiga é derretida, não fervida, escaldada, dourada, queimada, ok? Bastam alguns segundos no microondas ou, se você for old school, derreta em banho-maria em uma panelinha com bastante cuidado.

Coloque o mel e a manteiga derretida!

Coloque o mel e a manteiga derretida!

• Por último coloque também o ovo. Nada de quebrar o ovo diretamente na tigela onde estão os outros ingredientes! Se ele estiver estragado você não vai querer perder todos os ingredientes, né? Então quebre o ovo em uma xícara ou potinho, veja se ele está bom e aí sim, despeje sem dó na tigela!

Quebre o ovo em um potinho e misture!

Quebre o ovo em um potinho e misture!

• Agora é só misturar tudo. Eu começo usando a colher e depois uso a pontinha dos dedos, mas eu não tenho certeza que é o melhor jeito. Não precisa ficar trabalhando muito a mistura, basta misturar tudo bem, garantir que o ovo está uniforme (ou seja, que não tem pedaços de clara ou gema inteiros). Se você quiser, nesta hora, pode colocar gordices para seu biscoito ficar mais… interessante. Castanhas picadinhas ou gotas de chocolate, por exemplo. Eu já fiz com castanha do Pará e gostei bastante.

• Com a ajuda de uma colher de sorvete ou com uma colher normal mesmo, pegue porções uniformes de massa e faça bolinhas. Bo-li-nhas! E coloque na forma deixando o espaço entre uma e outra. São bolinhas mesmo, gente, como brigadeiros. Depois, quando estiver assando, os cookies sozinhos tomam forma de cookie. Podem ficar tanquilos. Se o dia estiver quente ou sua cozinha for quentinha, antes de mexer na massa deixe ela descansar um pouquinho na geladeira ou freezer. Um pouquinho só, para ela não ficar melequenta e grudando em tudo ok?

As bolinhas que serão cookies! Assei no fundo da forma virada ao contrário e deu certo!

As bolinhas que serão cookies! Assei no fundo da forma virada ao contrário e deu certo!

• Agora é só deixar assar entre 20 a 30 minutos, depende do seu forno. Fica de olho porque os cookies assam muito rápido! Eles vão ter um aspecto de meio crus (molhadinhos) quando você tirar do forno, mas é assim mesmo, quando eles esfriam endurecem. Se você quiser cookies mega crocantes, deixe mas tempo, mas tome cuidado para que eles não queimem no fundo. Quanto mais tempo você deixar, mais durinhos eles ficam. Eu prefiro os cookies que são crocantes nas bordas e macios no centro, então no meu forno 20 minutos são mais que suficientes.

• Espere esfriar para desenformar! Eu sei que é tentador comer cookies quentinhos, mas deixa eles ficarem pelo menos mornos, ou você vai acabar quebrando os danadinhos quando for tirar da forma. Para conservar, coloque em latas (sabe aquelas de chá quando ficam vazias? Ou de outros biscoitos que você já comeu?) ou potinhos de vidro com tampa para não ficarem moles com a humidade. E voilà, estão prontos!

IMG_0443IMG_0442

 


Leave a comment

Sopa de feijão

Sopa de feijão

Uma vez eu li, não lembro onde (se alguém souber me lembra ae!) que sopas, mingaus e chás eram comidas de “velhinhos” porque era preciso uma certa paciência e até humildade, coisas que só conseguimos com o tempo e a maturidade, para se curvar (ou quase isso) diante do alimento, esperar que ele chegue na temperatura ideal e sugar o caldinho. Gente jovem e apressada não gosta muito desse ritual que envolve tomar sopas e caldos. Talvez eu tenha sido sempre idosa, porque quando eu ainda era criancinha, na pré-escola, uma das coisas que mais gostava era de chegar em casa no final da tarde, tomar banho e ir de pijama jantar minha sopinha. Aliás, jantar em minha casa soteropolitana (da mamãe!) significa sopa.

Eu gosto de chamar essa sopa de feijão de sopa da maturidade, porque além desse papo de sopa ser coisa de velho gente madura, ela indica duas coisas:
1) você fez feijão (ponto!) e agora vai usar o que sobrou dele par fazer sopa (mais pontos!)
2) você está abrindo mão de pedir uma pizza, fazer um miojo, apelar para o delivery (pontos infinitos!) para fazer um jantar caseiro

A base da sopa de feijão, meus queridos, é o feijão (claro né?). Então para fazer essa sopa você vai ter que ter o dito cujo, ou porque você é maroto e aprendeu a fazer aqui ou porque, sei lá, você comprou feijão pronto e sobrou ou alguém te doou feijão. As verduras que você vai usar são aquelas do seu coração. Eu usei as que tinha em casa, mas como toda receita meio mutante que damos aqui, você pode trocar pelo que tem na geladeira/gosta, ok? As quantidades também podem variar. Vai depender (e muito) da quantidade de feijão que você tem em casa. Eu vou colocar aqui a quantidade que geralmente fica rolando em minha casa, depois que você já requentou umas duas vezes e não aguenta mais. Mas pode ser mais, pode ser menos. Só tenta seguir mais ou menos a proporção, beleza?

Ingredientes

• 2 xícaras de feijão cozido (com caldinho e tudo)
• 1 batata pequena, 1 cenoura, 1 chuchu e 1 punhado de vargem cortados em cubos (essa é a parte que você pode trocar pelo que quiser!)
• 1 tomate cortado em cubos
• Cheiro verde a gosto
• Macarrão de letrinhas ou outra massa curta (opcional, eu não costumo usar)

Cortar os legumes é uma terapia!

Cortar os legumes é uma terapia!

 

Modo de preparo

• Lave e corte o tomate e os legumes que você vai usar em cubos pequenos. Paciência, é melhor que ter toras de legume na sopa 😉 (ps: você pode usar aqueles que já vem cortados e embalados a vácuo do supermercado se você for master preguiçoso, mas eu não recomendo)
• Essa sopa também fica gostosa se você usar abóbora, quiabo, ervilhas tortas, alho poró, salsão, aimpim… possibilidades infinitas!
• Bata o feijão no liquidificador. Sem as carnes, ok? Apenas grãos e caldos. Não tem liquidificador? Amasse os grãos com um garfo ou espremedor de batatas. Mas se você quiser também pode deixar os grãos inteiros, a cozinha é livre.• Coloque o feijão batido em uma panela grande o suficiente para caber ele e os legumes. Adicione um copo (250ml) de água, o tomate picado e coloque em fogo baixo até ferver.
• Coloque as verduras mais duras primeiro (nesse caso, cenoura e vargem) e deixe ferver por 5 minutos. Depois acrescente o resto das verduras e deixe ferver até que todas estejam macias e cozidas. Se for usar macarrão, a hora é essa também.
• Se o seu feijão estava re-re-re-requentado e quase sem caldo, cuidado! Observe a fervura e, se necessário, se você perceber que o caldo está muito grosso e mais para creme que para sopa, acrescente mais água durante o processo. Aproveite para provar. Como o feijão já estava temperado, eu não costumo acrescentar sal. Mas se você sentir que precisa, pode colocar!
• Já pertinho de desligar a panela, coloque o cheiro verde para dar um cheirinho/gostinho de amor à sua sopinha.

sopa de feijão

Prontinho! É só comer.
Em dias frios, então, não tem coisa melhor. Pode acompanhar de umas torradinhas e fechou o jantar! Foto de sopa é uma coisa meio feia e vou ficar devendo imagens mais apetitosas nesse post, mas podem fazer em casa que é garantia de sucesso maduro. E o cheirinho que sobe quando ela está no fogo, hummm…

 


Leave a comment

Bolinho de banana idosa

Bolinhos de bananas idosas

Bolinhos de bananas idosas

Banana, essa fruta tão linda e tão adorada. Banana, essa fruta que basta você comprar (ainda meio verdinha, na feira ou no mercado, para “durar”) que magicamente começa a amadurecer, amadurecer e assim, do nada, fica podre. A minha experiência com bananas me conta que existem apenas dois estágios da fruta: 1) você quer comê-la e ela está verde e dura 2) você quer comê-la e ela está madura demais. Sério. Desde que comecei a morar sozinha, raramente vi uma banana no ponto por mais do que um dia, daquelas que você acorda de manhã e taca na tigela com cereal. Isso dura pouco, amigos. E depois fica aquela banana ali, cada vez mais cheia de pontinhos pretos… e você sem saber o que fazer com ela…

Eu já dei receita de bolo de banana de liquidificador aqui. Essa receita é bem parecida, mas veja bem, não é a mesma. É quase igual, mas não é a mesma. E poxa, bolo de banana é um treco tão bom que qualquer receita é sempre maravilhosa. Mas essa fica extremamente fofinha e eu fiz em formas de cupcake bolinho, assim dá para levar para lanchar no trabalho (rá!) ou comer um de manhã com um café bem forte. Vamos lá?

Ingredientes:

• 4 bananas maduras (ou mais ou menos isso, depende do tamanho da sua banana)
• 1 xícara de óleo (eu prefiro de canola, mas usa o que tiver em casa)
• 3 ovos
• 2 xícaras de farinha de trigo
• 2 xícaras de açúcar
• 1 colher de sopa de fermento químico
• 1 colher de sopa de canela em pó
• castanhas do pará e nozes moídas a gosto
• açúcar refinado e canela para polvilhar

Ficam uma delícia no café da manhã ou no lanche da tarde!

Ficam uma delícia no café da manhã ou no lanche da tarde!

Modo de Preparo:

• Comece separando todos os ingredientes e preaqueça o forno em temperatura média (170 a 190 ºC). Eu usei formas de cupcakes bolinhos de silicone, então não precisa untar. Se você for usar outro tipo de forma, unte com farinha e manteiga. Como vocês perceberam, não tem leite e derivados nessa receita (alô pessoal da intolerância/alergia!). Se você não come leite e derivados, unte a forma com óleo e farinha, simples assim (e até mais prático).
• Em uma tigela funda usando uma batedeira ou no liquidificador, bata as bananas, os ovos e o óleo. E nada de quebrar os ovos direto sobre as bananas e o óleo! Quebre um a um em um recipiente pequeno e depois transfira para onde estão os outros ingredientes. Se um deles estiver podre (acontece, hein?) você não vai querer perder tudo, né?
• O segredinho para qualquer bolo ou massa que leva ovos não ficar com aquele cheirinho de ovo esquisito é passar os ovos por uma peneira para tirar a membrana e bater bem. Faça isso e bata a mistura entre 6 e 10 minutos.
• Depois, aos poucos, acrescente o açúcar e a farinha. Pode ser açúcar normal, granulado? Pode. Eu uso refinado para bolos mas tanto faz. Se você tiver açúcar mascavo em casa vai ficar mais gostoso ainda, ele combina com banana. Mas nesse caso use 2 e 1/2 xícaras, porque o açúcar mascavo é menos doce.

A casa vai cheirar tanto, você vai salivar querendo comer logo... mas tem que esperar esfriar para tirar das forminhas!

A casa vai cheirar tanto, você vai salivar querendo comer logo… mas tem que esperar esfriar para tirar das forminhas!

• Em seguida acrescente o fermento e a canela. Bata mais um pouco, em velocidade baixa (ou na opção pulsar para o liquidificador). Pare de bater e acrescente as nozes e castanhas (se você não tiver em casa, tudo bem, é opcional. Se quiser pode colocar chocolate em gotas em em pedacinhos bem pequenos também, cada um sabe de sua gordice, só digo que fica ótimo!) e mexa com uma colher até que elas se distribuam uniformemente na massa.
• Coloque a massa nas forminhas (rende aproximadamente 15 bolinhos ou um bolo normal) e leve ao forno para assar. O tempo depende um pouco da forma, os bolinhos assam mais rápido, em média 15 a 20 minutos. Já um bolo inteiro demora mais. Como você vai saber que está pronto? Fique de olho e quando eles começarem a ficar douradinhos em cima, enfie um palito (de preferência de churrasco) bem no meio da massa. Se o palito estiver limpo, está pronto!
• Espere esfriar e desenforme (se você está desenformando bolo quente depois não venha reclamar que ele quebrou!) e polvilhe com açúcar e canela.
• Voilà, está pronto! Pode passar aquele café bem forte e saborear seus bolinhos! (:

Bolinhos de banana

 


3 Comments

Feijão (deluxe edition)

Receita de Feijão

Habemus feijão!

Primeirinho de tudo, queria pedir desculpas. Acabei o ano feliz, falando que em 2014 o Cozinha ia vir com tudo e sumi meses. Não, eu não estava mentindo. Este ano minha dedicação às receitas (aqui, fora daqui) vai ser maior que nunca. Mas no meio do caminho, duas coisas aconteceram: consegui um emprego fixo e mudei de apartamento. Ambos estão, nesses últimos meses, tomando muito do meu tempo e da minha atenção. Estou me adaptando a nova rotina, organizando o tempo que terei que me dedicar a culinária, organizando meu próprio futuro (sabem aquilo de estudar gastronomia?) e o mais importante… estou sem cozinha descente de novo! Por isso está complicado registrar as receitas para compartilhar com vocês. Estou ajeitando o apartamento aos poucos e no momento não tenho nem cama. Com calma, tudo vai voltar ao lugar, e quando voltar, preparem seus corações que vai ser lindo!

Mas o Cozinha de Lavoisier é um lugar de cozinhar com molejo, com marotagem. De adaptação. E eu resolvi que enquanto Seu Lobo não vem, não tem motivo para ficar parada. Não vou postar com a frequência que gostaria. E já voltei voltando, com a receita que representa não só a independência gastronômica, mas basicamente um pulo para outro nível da vida: F-E-I-J-Ã-O.

Olha, eu acho muito raro encontrar alguém que não goste de um bom feijão. É um prato quase unânime nas mesas do Brasil todo, do norte ao sul, fomos todos criados comendo ele. E quando saímos de casa, quando ficamos mocinhos e independentes, a gente até pode se enganar comendo sushi, ceviche, salada de queijo de cabra dos alpes, mas a verdade é que vira e mexe aperta aquela saudade do feijão de mamãe. Aí você pode comer no restaurante a quilo ou PF da esquina, pode comprar aqueles de caixinha (socorro!), pode pedir para alguém fazer e congelar para você. Mas nada representa melhor a maturidade na cozinha que fazer seu próprio feijão. É! Yes, you can!

IMG_9827

Pois. E como a brincadeira não é pouca, vou dar uma receita que tem muitas versões (a base, a deluxe – minha preferida! – e a veggie). E de quebra vou ensinar como usar a panela de pressão. Vamos lá?

Ingredientes

• 1/2 kg de feijão catado (é, por mais que no saquinho fale que não precisa, você não quer morder uma pedra)
• 1 cebola picada
• 2 dentes de alho amassados
• 2 folhas de louro (quando eu era criança eu detestava encontrar elas, não entendia o que faziam ali. Parece bobagem, mas faz toda diferença. Não renegue esse ingrediente!)
• Sal e pimenta-preta moída a gosto
• Cheiro-verde (cebolinha, salsinha, coentro) a gosto

temperos

Temperos básicos para versão mais simples, sem carne: cebola, alho, louro e cheiro-verde.

Para versão deluxe você ainda vai precisar de:
• Paio, linguiça josefina e linguiça calabresa a gosto, cortada em rodelas
• Bacon a gosto cortado e cubinhos
• Charque (carne-seca, carne-salgada) a gosto, em cubinhos
• Costelinha defumada a gosto

carnes

Para versão deluxe (com gostinho de vó!), use carnes ao seu gosto. Não esquece de por pelo menos bacon e linguiça calabresa, o gostinho fica fantástico!

Para a versão veggie você vai precisar de:
• Quiabo a gosto
• Abóbora cortada em cubos grandes a gosto
• Cenoura cortada em tiras largas a gosto
• Chuchu cortado em cubos grandes a gosto

P.S: Observem que eu coloquei a quantidade de carnes ou verduras (ou ambos, vai que!) que você vai usar a gosto. Isso porque tem gente que coloca as carnes, por exemplo, apenas para dar um gostinho (e vai por mim, que gostinho!) e por isso apenas um pouquinho basta. Tipo meio paio, meia linguiça, um pedacinho de charque. E tem gente que come essas carnes, então coloca mais. O mesmo para versão vegetariana. Eu gosto com bastante quiabo e abóbora, então coloco vários. Mas tem gente que coloca apenas para fazer uma graça. Não tem regra, listen to your heart. E se você continuar colocando carnes (pé, língua, lombinho, músculo de boi) vira uma feijoada. O princípio é o mesmo, quase.

Modo de preparo

Para panela de pressão (perca o medo agora, pergunte-me como!):

• Comece preparando todos os alimentos que vai usar na receita. Cate o feijão, separando as pedrinhas e grãos ruins. Como vamos usar a panela de pressão, não precisa deixar ele de molho (yay!). Mas coloque-o mesmo assim em uma bacia e encha de água, deixe uns minutos, escorra a água. Faça isso três vezes e lave em água corrente na última (use um escorredor de macarrão para ajudar). Frescura? Não. Nesse processo de lavagem, o feijão perde alguns gases. Gases esses que podiam estar dentro de você e te fazer peidar. Você não quer ficar peidando, né? Então lave direitinho seu feijão.

Feijão catado

• Corte as cebolas, amasse o alho e pique o cheiro-verde bem picadinho. Se você for usar carnes, este é o momento de cortar todas em rodelas e cubinhos. Coloque-as em uma bacia ou vasilha grande, despeje um pouco de água fervendo sobre elas, deixe descansar um pouco e escorra a água. Para que? Para tirar o excesso de sal e gordura. Se for usar os legumes, esta é a hora de cortar tudo também. Não ligue o fogo sem ter todas as coisas prontas!

• Refogue a cebola e o alho em um pouquinho de azeite. Vamos usar fogo alto o tempo todo. Se você está fazendo a versão deluxe, refogue também as carnes. Depois acrescente os grãos de feijão. Cubra de água até uns quatro dedos acima do nível dos grãos e tampe a panela.

IMG_9799 IMG_9806 IMG_9810

– OPA, MAS EU NÃO SEI USAR A PANELA!
Calma, sem pânico. Vou explicar:

A única diferença entre uma panela comum e a de pressão é… a pressão. A água ferve a 100ºC no nível do mar (mais ou menos onde estamos) e ferve a 72ºC no topo do Everest, por exemplo. Isso porque a pressão atmosférica lá é menor. O que isso quer dizer? Que no  topo do Everest as pessoas demoram muito mais para cozinhar que em Salvador, por exemplo. Isso porque, uma vez que a água começa a ferver, ela mantém a temperatura constante. Não adianta aumentar o fogo, você só vai gastar gás. Lembram das aulas de ciência? Eis que um gênio nos deu esse maravilhoso advento tecnológico, o mesmo desde que nossas avós cozinham: a panela de pressão! Trata-se de uma panela toda vedada. Lá dentro a pressão é maior que a pressão atmosférica, o que significa que a água ferve em uma temperatura ainda maior e seu alimento fica pronto mais rápido. Lindo, né?

Mas papo bonito a parte, o que você realmente precisa saber? Bom, é simples:
1) Nunca encha a sua panela além de 2/3 da capacidade. Isso, 1/3 tem que ficar vazio (por isso as panelas são tão compridas, já repararam?). Algumas panelas tem essa marcação, outras não. Preste atenção. Colocar mais coisa que esse limite pode entupir as válvulas de segurança e escape do vapor e isso não seria nada bacana.
2) Feche direitinho a panela, observando se ela ficou toda vedada. Se não ficou, nada vai explodir, mas o vapor vai escapar, a pressão não vai funcionar e o feijão não vai cozinhar rápido. Por isso compre uma panela boa, né? Panela de pressão é investimento, vale a pena escolher a melhor que você puder.
3) Nunca abra a panela enquanto ainda tem pressão nela. Para abrir, você tem que esperar a panela esfriar e todo vapor sair. Claro que se você apenas desligar o fogo isso vai demorar. O melhor jeito é levantar o pito central com um garfo ou colher para todo vapor sair (vai fazer um sssshhhhhhh louco, mas é assim mesmo) e colocar a panela na pia e molhar as laterais, para ajudar ela a esfriar. Quando você levantar o pito e não fizer mais shhhh nenhum, pode abrir a panela sem medo!

Viu? Simples. Prometo mostrar isso em vídeo em breve. Mas agora vamos voltar ao nosso modo de preparo?

• Sem medo, tampe a panela. Quando você começar a ouvir o barulhinho da pressão (ou seja, a panela começa a chiar), deixe cozinhar por 15 minutos e desligue. Gente, é 15 minutos depois que a panela pega pressão, não ao todo, ok?

• Quando abrir a panela, observe a consistência dos grãos. Se estiverem muito duros, leve ao fogo e deixe mais 5 minutos na pressão. Se não estiverem, leve a panela de volta ao fogo sem a tampa, apenas para engrossar o caldo. Acrescente também o cheiro verde picadinho nessa hora.

• Deixe mais uns 15 minutos (depende de como você gosta do caldo) e voilà! Está pronto seu feijão!

• Se você for fazer a versão veggie, coloque os legumes na panela depois de tirar a pressão. Isso porque eles são mais delicados e se você cozinhar na pressão, junto com os grãos, vai virar uma bagaceira. Só desligue a panela quando todos estiverem cozidos e acrescente mais água, se necessário. Se você estiver com muita pressa, pode aferventar os legumes e já colocá-los semi-cozidos na panela.

• Sal? Bem, eu sempre faço a versão com carnes, que já tem sal. Então eu provo para ver se precisa de mais quando o caldo está engrossando. Se precisar, eu adiciono. Se você não vai usar carnes, pode colocar o sal logo no começo, ao seu gosto. É sempre melhor colocar um pouquinho e ir provando do que colocar um monte e salgar tudo. Comida sem sal tem jeito, com sal demais já é bem complicado. Prove sua comida! Está liberado provar para corrigir o sal e tudo mais. Só não vale colocar colher na boca e depois de novo  no feijão, hein?

Nhami!

Nhami!

Se você não tem uma panela de pressão: 

• O processo é o mesmo, mas muda um pouco. Comece no dia anterior (na noite anterior, vai), catando os feijões. Lave-os em água corrente e coloque de molho em uma bacia com água até dia seguinte ou pelo menos por 3h. Está com pressa? Muita pressa? Compre uma panela de pressão! Mentira, hehehe. Coloque o feijão de molho na água bem quente e troque a água (por outra também quente) a cada 15 minutos, três vezes. Isso vai acelerar o processo.

• Repita os mesmos passos da receita para panela de pressão, porém depois de refogar tudo e cobrir com água, tampe sua panela, baixe um episódio da sua série preferida e vá assistir. Lembre de ir, a cada 15 minutos, mexer e verificar se está tudo ok com seu feijão (; Faça isso até ele ficar macio e o caldo da consistência que você deseja. Não esqueça de colocar os temperos verdes perto do momento em que o feijão está ficando pronto. Parece que vai durar uma eternidade, mas já fiz muito feijão assim e normalmente dura 1h30 de cozimento, mais ou menos.

• Para a versão veggie sem panela de pressão, adicione as verduras quando os grãos estiverem ficando moles, porém ainda bastante consistentes. O tempo que os grãos ficam no ponto será o tempo que as verduras levarão para cozinhar. Não esqueça os temperinhos verdes!

IMG_9819
É isso, gente. Eu disse que era fácil! Não sei direito da onde vem esse mito do feijão ser complicado, talvez porque ele seja um grão seco e feio e se transforme em uma coisa cheia de caldo, macio e  de gosto maravilhoso. Ah! Existem outras maneiras de preparar. Tem gente que cozinha o feijão puro na pressão e depois, em outra panela, tempera ele. Tem gente que usa caldo de bacon/costelinha e queles produtos de saquinho (eca!) que prometem dar gosto caseiro ao feijão. Eu faço desse jeito e sempre fui feliz, acho a maneira mais simples, suja apenas uma panela. E essa mesma receita serve para fazer outros grãos, como grão-de-bico ou lentilha. Fica uma delícia também!
P.S: Eu sou baiana, então abuso do coentro e cebolinha no feijão. Acho que fica melhor e acho que você deveria tentar. Tomate também pode ser usado, mas eu acho que não muda em nada o gosto. Mas se você não gosta destes temperos, não coloque.
P.S 2: Para mim, o melhor jeito de comer feijão é no dia que fica pronto, com farinha que mamãe me manda da Bahia. Argamassa de pedreiro, sabem? Adoro.
P.S 3: Essa receita rende bastante. Dá para três pessoas que comem moderadamente comerem três vezes. Se você está fazendo apenas para você, vai sobrar um monte. Minha dica é: congele. Coloque em potes pequenos para você esquentar individualmente sempre que quiser comer um feijãozinho no almoço. Para isso, baixa deixar o feijão esfriar, colocar em vasilhas plásticas próprias para isso (aquelas com tampinha colorida de casa de 1,99!) e congelar. Dura até 3 meses no freezer (é, isso tudo), mas só pode ficar 3 dias na geladeira (na parte que só gela). Por isso, congela as porções do tamanho que vai consumir, para não ficar congelando e descongelando (bungando, como diria minha avó). Custa nada, rende mais. E você nunca mais vai sentir saudade de um almoço de mãe.

 


3 Comments

Torta de frutas da Susu

Torta de frutas da Susu: parece coisa de filme, mas você vai conseguir fazer em casa!

Torta de frutas da Susu: parece coisa de filme, mas você vai conseguir fazer em casa!

A receita de hoje é sentimental e vem do outro lado do oceano. Isso mesmo, especialmente de uma cozinha linda e colorida de La Rochelle, na França. Ano passado estive por lá de férias, matando a saudade de dois amigos lindos, Marcelo e Suzanne. Fiquei hospedada na casa deles, que parece um sonho, e preparamos essa torta, que eu vou compartilhar com vocês. Marcelo é um querido que eu conheço desde menina. Um dos músicos mais talentosos que eu conheço, além de ser um desenhista-ilustrador-artista incrível. Su é francesa, de verdade! Uma professora dedicada, daquelas que dá gosto ser aluna – e eu sei, porque já tive aulas de francês com ela quando estava estudando para o Dalf. Além disso, ela é uma verdadeira mestra em trabalhos manuais. Costura, bordado, decoração, cozinha… é com ela mesmo. Ela tem um blog onde posta receitas (maravilhosas) e outras coisas manuais. Boa parte do conteúdo está em francês, mas também tem traduções em português, principalmente nas receitas. Vale a visita!

La Rochelle é um lugar encantador, na bordinha do Oceano Atlântico. Lembram do cerco de La Rochelle, do Cardeal de Richelieu, das aulas de história? Pois, foi lá. A cidade ainda conserva bem sua história, o porto antigo (com carinha de Idade Média), os monumentos. Ao mesmo tempo, é graciosa e encantadora, com um clima de mar e natureza por toda parte. Eu estive lá no início verão, o que deixa tudo mais colorido. Olhem só:

La Rochelle, na França. Uma cidade medieval na bordinha do oceano Atlântico.

La Rochelle, na França. Uma cidade medieval na bordinha do oceano Atlântico.

Marcelo e Su, meus anfitriões queridos.

Marcelo e Su, meus anfitriões queridos.

A cidade tem um dos aquários mais maravilhosos que eu já visitei.

A cidade tem um dos aquários mais maravilhosos que eu já visitei.

A praia é um pouco diferente da nossa, mas também é linda.

A praia é um pouco diferente da nossa, mas também é linda.

 

Essa receita de torta me lembra tudo isso. O colorido da cidade, a doçura do meu casal de amigos. Eu adoro gente que coloca a mão na massa, e eles são assim! Acho que o carinho e o amor passa pela ponta dos dedos e fica em tudo que preparamos com as nossas mãos. Bem piegas, eu sei, mas me deixem. O amor é meio breguinha mesmo. Sempre que eu cozinho, literalmente sinto coisas boas saindo de dentro de mim e temperando a comida. Eu só estou contando essas coisas sentimentais para vocês porque muita gente me diz que não se entende com o fogão, mas só tenta cozinhar quando está morrendo de fome, assim, verde. Ou quando está com pressa, ou quando precisa porque não tem jeito. Gente, não é assim que funciona! Se você não tentar com calma, carinho, paciência, não vai rolar. As pessoas não exageram quando falam que cozinhar é uma terapia. Tentem em um momento tranquilo. Encarem como uma forma de amor. Coloquem uma música, se curtam, curtam o que estão fazendo. Vocês vão ver como tudo fica melhor.

Vamos a receita? Eu acompanhei Su fazer e posso dizer que é uma torta bem simples, mas que fica bem leve e gostosa. Quando ela ainda está no forno levanta um cheirinho que toma conta da casa toda! A massa brisée sucrée (ou massa podre doce, aqui no Brasil) pode ser usada em outras receitas de torta doce, viu gente? Com o recheio que vocês quiserem. Anotem ela com carinho, porque é muito gostosa. A génoise (o bolo úmido do recheio, não sei a tradução) é uma alternativa aos nossos cremes super doces cheios de leite condensado. A torta fica menos enjoativa, mas não menos saborosa! E no recheio, usamos as frutas que compramos no dia, na feira: damasco fresco e cereja. Em outra versão, Su usou damasco, morango e framboesa do jardim. Apesas dessas frutas não serem complicadas de se achar por aqui – em São Paulo, nas feiras livres, eu compro direto! – você pode adaptar com as frutas que tiver em casa. Certeza que vai ficar muito bom com manga, abacaxi, banana, maçã… tenta e me conta?

Frutas da feira que usamos no recheio.

Frutas da feira que usamos no recheio.

Frutas tropicais também são uma boa pedida para o recheio!

Frutas tropicais também são uma boa pedida para o recheio!

Você pode substituir pelas frutas que tiver em casa!

Você pode substituir pelas frutas que tiver em casa!

Massa Podre
• 250g de farinha de trigo
• 125g de manteiga
• 85g de açúcar de confeiteiro
• 1 ovo

Preparo:
•  Misture com as mãos a farinha com o açúcar, a manteiga mole e o ovo até formar uma bolinha de consistência homogênea.
• Coloque a massa em um saquinho plástico vedado ou enrole em papel-filme e leve à geladeira por 30 minutos ou enquanto prepara a génoise e o recheio. Por que, Mariele? Ué, para que a manteiga volte a endurecer. Assim, quando você levar a massa ao forno, ela vai sofrer um choque místico de temperatura que deixa a massa bem crocante!
• Quando passar o tempo da geladeira, abra a massa e coloque sobre uma forma. Não tem rolo de abrir massa? Use uma garrafa de vinho vazia, com cuidado, ou abra com a mão mesmo, diretamente na forma. Não tem forma de fundo removível? Faça como Su, que forrou uma forma normal com papel-manteiga. Aliás, mesmo que a forma seja de fundo removível, é bacana usar o papel, assim você retira a torta mais fácil e não faz um monte de meleira. Eu sempre uso.

A torta antes de ir para o forno. Quando ela estive pronta as frutas vão afundar na génoise, que cresce e fica douradinha!

A torta antes de ir para o forno. Quando ela estive pronta as frutas vão afundar na génoise, que cresce e fica douradinha!

Génoise
• 45g de manteiga
• 90g de açúcar de confeiteiro
• 1 ovo
• 1 e 1/2 colher de chá de fermento em pó
• 90g de farinha

• Frutas picadas a gosto para cobertura!

Preparo
• Bata o açúcar e a manteiga com uma batedeira, até ficar uma mistura esbranquiçada.
• Depois misture o ovo e o fermento e bata bem. Por último, adicione a farinha e misture bem, até tudo ficar bem homogêneo.
• Coloque essa massa sobre a massa podre, que já está na forma. Por cima, coloque as frutas que você escolheu bem picadinhas. Disponha elas com carinho, para sua torta ficar bonita, ok?
• Leve ao forno médio (170 a 190 ºC), preaquecido, por 40 minutos. Você vai saber que a torta está pronta quando, além do cheiro maravilhoso, as frutas “afundarem” e a génoise começar a crescer e ficar dourada.
• Retire do forno e espere esfriar para comer. Aí você pode comer pura, com creme de leite fresco batido até formar ponto de chantili (humm!) ou com sorvete de baunilha.

Outra versão da mesma torta, feita por Su. Mudar as frutas faz diferença!

Outra versão da mesma torta, feita por Su. Mudar as frutas faz diferença!

Outra versão da torta, feita por Su. Olha como ela fica fofinha por dentro!

Outra versão da torta, feita por Su. Olha como ela fica fofinha por dentro!

 

Roubei essas duas últimas fotos do blog de Suzanne para mostrar pra vocês como dá para fazer a base com outras frutas, que também fica muito bom! Viram como é simples? E o bom dessa receita é que basicamente ela só usa açúcar, farinha, manteiga e ovos, coisas que todo mundo tem – ou deveria ter, hein? – sempre em casa. Não é cara e nem complicada. Dá para fazer uma versão com o que tem na geladeira ou, se você quiser fazer para uma ocasião especial, com frutas vermelhas frescas.

Espero que vocês tentem em casa e se acabem nessa gostosura no final de semana. Bon appétit e até a próxima receita!