Cozinha de Lavoisier

Na cozinha nada se perde, nada se cria: tudo se transforma.

Sopa de feijão

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Sopa de feijão

Uma vez eu li, não lembro onde (se alguém souber me lembra ae!) que sopas, mingaus e chás eram comidas de “velhinhos” porque era preciso uma certa paciência e até humildade, coisas que só conseguimos com o tempo e a maturidade, para se curvar (ou quase isso) diante do alimento, esperar que ele chegue na temperatura ideal e sugar o caldinho. Gente jovem e apressada não gosta muito desse ritual que envolve tomar sopas e caldos. Talvez eu tenha sido sempre idosa, porque quando eu ainda era criancinha, na pré-escola, uma das coisas que mais gostava era de chegar em casa no final da tarde, tomar banho e ir de pijama jantar minha sopinha. Aliás, jantar em minha casa soteropolitana (da mamãe!) significa sopa.

Eu gosto de chamar essa sopa de feijão de sopa da maturidade, porque além desse papo de sopa ser coisa de velho gente madura, ela indica duas coisas:
1) você fez feijão (ponto!) e agora vai usar o que sobrou dele par fazer sopa (mais pontos!)
2) você está abrindo mão de pedir uma pizza, fazer um miojo, apelar para o delivery (pontos infinitos!) para fazer um jantar caseiro

A base da sopa de feijão, meus queridos, é o feijão (claro né?). Então para fazer essa sopa você vai ter que ter o dito cujo, ou porque você é maroto e aprendeu a fazer aqui ou porque, sei lá, você comprou feijão pronto e sobrou ou alguém te doou feijão. As verduras que você vai usar são aquelas do seu coração. Eu usei as que tinha em casa, mas como toda receita meio mutante que damos aqui, você pode trocar pelo que tem na geladeira/gosta, ok? As quantidades também podem variar. Vai depender (e muito) da quantidade de feijão que você tem em casa. Eu vou colocar aqui a quantidade que geralmente fica rolando em minha casa, depois que você já requentou umas duas vezes e não aguenta mais. Mas pode ser mais, pode ser menos. Só tenta seguir mais ou menos a proporção, beleza?

Ingredientes

• 2 xícaras de feijão cozido (com caldinho e tudo)
• 1 batata pequena, 1 cenoura, 1 chuchu e 1 punhado de vargem cortados em cubos (essa é a parte que você pode trocar pelo que quiser!)
• 1 tomate cortado em cubos
• Cheiro verde a gosto
• Macarrão de letrinhas ou outra massa curta (opcional, eu não costumo usar)

Cortar os legumes é uma terapia!

Cortar os legumes é uma terapia!

 

Modo de preparo

• Lave e corte o tomate e os legumes que você vai usar em cubos pequenos. Paciência, é melhor que ter toras de legume na sopa 😉 (ps: você pode usar aqueles que já vem cortados e embalados a vácuo do supermercado se você for master preguiçoso, mas eu não recomendo)
• Essa sopa também fica gostosa se você usar abóbora, quiabo, ervilhas tortas, alho poró, salsão, aimpim… possibilidades infinitas!
• Bata o feijão no liquidificador. Sem as carnes, ok? Apenas grãos e caldos. Não tem liquidificador? Amasse os grãos com um garfo ou espremedor de batatas. Mas se você quiser também pode deixar os grãos inteiros, a cozinha é livre.• Coloque o feijão batido em uma panela grande o suficiente para caber ele e os legumes. Adicione um copo (250ml) de água, o tomate picado e coloque em fogo baixo até ferver.
• Coloque as verduras mais duras primeiro (nesse caso, cenoura e vargem) e deixe ferver por 5 minutos. Depois acrescente o resto das verduras e deixe ferver até que todas estejam macias e cozidas. Se for usar macarrão, a hora é essa também.
• Se o seu feijão estava re-re-re-requentado e quase sem caldo, cuidado! Observe a fervura e, se necessário, se você perceber que o caldo está muito grosso e mais para creme que para sopa, acrescente mais água durante o processo. Aproveite para provar. Como o feijão já estava temperado, eu não costumo acrescentar sal. Mas se você sentir que precisa, pode colocar!
• Já pertinho de desligar a panela, coloque o cheiro verde para dar um cheirinho/gostinho de amor à sua sopinha.

sopa de feijão

Prontinho! É só comer.
Em dias frios, então, não tem coisa melhor. Pode acompanhar de umas torradinhas e fechou o jantar! Foto de sopa é uma coisa meio feia e vou ficar devendo imagens mais apetitosas nesse post, mas podem fazer em casa que é garantia de sucesso maduro. E o cheirinho que sobe quando ela está no fogo, hummm…

 

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Author: Mariele Góes

A única constante na minha vida é que gosto de cozinhar. Já tentei ser fotógrafa, já toquei em banda, já ataquei de dj. Me formei em jornalismo e estava indo bem, até trabalhava em uma grande revista nacional, mas achava tudo chato. Resolvi estudar gastronomia como um hobby e de repente me vi totalmente envolvida. Larguei tudo, recomecei do zero e hoje estou radiante por passar 12h por dia de pé, mexendo com fogo e facas. Formada em gastronomia pela Anhembi Morumbi, em São Paulo, e me especializando em cozinha francesa na Ferrandi Paris.

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