Cozinha de Lavoisier

Na cozinha nada se perde, nada se cria: tudo se transforma.

Caneloni fake e a importância de colocar cada coisa em seu lugar

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Quando eu comecei esse blog estava passando por um perrengue danado e queria transformar isso em uma situação positiva. A ideia era compartilhar meus malabarismos na cozinha e como eu estava me virando com pouca grana. Eu expliquei no primeiro post desse blog e explico de novo: comida é uma coisa muito importante para mim. Sou dessas que precisa comer comida de verdade, feita por humanos, em panelas. Nada de pacotinhos, saquinhos e caixinhas. Sem muito dinheiro isso parecia difícil, mas na verdade não é. Para ser sincera, eu economizo muito mais preparando eu mesma minhas refeições. Naqueles dias eu não sabia nada de nada (e ainda não sei), mas sabia agir na hora da fome, mesmo com pouquíssimos ingredientes na geladeira. E era esse conhecimento que eu queria dividir. Pois bem, um ano e meio depois, quanta coisa mudou! O perrengue financeiro passou (yay!) mas não abalou a fome pelo universo culinário. O blog, falar de comida com as  pessoas, cozinhar cada vez mais (dessa vez refletindo, para contar pra vocês) foram me ajudando a compreender o que eu tinha que fazer: estudar.

É engraçado como a vida as vezes corre por caminhos que não imaginamos. Cá estou eu, Mariele, 26 anos, jornalista e… estudante de gastronomia! Apenas no primeiro mês completo de aulas, mas já de frente para um mundo de possibilidades deliciosas (literalmente). Claro que nessa correria para manter a vida dupla e ainda deixar o meu lar e vida pessoal em ordem, sem esquecer de cuidar e amar minha gatinha Brigitte (nho!) fica realmente complicado fazer, fotografar e postar receitinhas aqui. Aliás, vamos combinar que frenquência de postagens nesse blog nunca foram meu forte. Mas as boas notícias são que estou lendo muito, estudando muito, treinando muito, conversando muito com pessoas bacanas e em breve, assim espero, isso aparecerá por aqui em forma de coisinhas gostosas.

Enquanto isso a vida tem me mostrado muitas coisas novas. Nas aulas, vou entendendo que eu realmente não sabia nada e tem muito para aprender. Isso é bom, de verdade. Só me motiva mais e mais! Cozinhar bem em casa é diferente de cozinhar profissionalmente e quando eu me propus a mergulhar nesse universo foi justamente para isso, para deixar de ser uma boa cozinheira de fins de semana e me tornar uma cozinheira de verdade. Estou aprendendo técnicas, bases, fundamentos. Estou sentindo uma alegria que não sei descrever. E de quebra  tenho aprendido lições que extrapolam a cozinha.

Nas aulas – como em uma cozinha de verdade – trabalhamos em grupo. Cada um tem uma função, que vai desde ser o sous chef (que ajuda o professor, que é o chef, a comandar a aula) até lavagem (que limpa os utensílios usados nas demonstrações e preparos coletivos) e lixo (que literalmente recolhe o lixo). Além disso as produções do dia são feitas em trio. É preciso entender isso. É preciso entender que mais importante que “acertar” a preparação do dia e ter uma nota bacana é acertar “na vida”, é entender a técnica nova que estamos aprendendo e nunca mais esquecer, para conseguirmos reproduzir aquilo para sempre, no contexto que for. É preciso conseguir lidar bem com todo mundo porque você não está cozinhando sozinho e provavelmente não cozinhará sozinho quando for trabalhar com isso. É preciso ter concentração, calma, ser limpo e organizado. E principalmente organizado.

Eu fiquei feliz em saber que já sabia disso intuitivamente. Eu sempre começo as receitas aqui no blog falando para “deixar tudo prontinho para preparar a receita”. Sabem quando eu falo para já picar o que deve ser picado, cortar o que deve ser cortado, derreter o que deve ser derretido, untar as formas, preaquecer o forno, juntar todos os utensílios que serão usados, etc? Sabem quando eu digo para deixar tudo separadinho para não ter que pegar um ingrediente no meio da receita e desandar tudo? Nas aulas eu aprendi que isso tem um nome: mise en place.

Mise en place, em francês, significar colocar no lugar. Organizar o trabalho antes de começar a executá-lo. Parece frescura né? Mas não é. Até porque para fazer isso é preciso conhecer a receita, refletir um pouquinho, pensar no que será feito e em cada etapa do preparo. E isso faz com que você saiba os detalhes de cada produção e dificilmente erre. Por isso fica tudo maravilhoso. E olha, se eu já sabia disso intuitivamente, comecei a perceber a importância dessa atitude reflexiva fora da cozinha também. Planejar as atividades, pensar um pouquinho antes de agir não faz mal nenhum para ninguém, pelo contrário. Ser organizado só ajuda.

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Mas eu estou me prolongando muito no papo e hoje tem receita! É um canelone fake, para fazer naquelas horas de aperto e fome. Fake, porém digno – e que não me julguem os puristas da culinária italiana. Sabe aquele queijo e presunto que você tem sobrando na geladeira? Não faz sanduíche não, cata uma massa de lasanha fresca pronta e vamos fazer uma refeição completa! O segredo? O molho de tomate caseiro rústico, que fica pronto rapidinho e faz toda diferença não só nesse, mas em qualquer massa que você fizer em casa. Vamos ver?

Ingredientes (Canelone fake):

• 1 pacote de massa de lasanha fresca (é, aquelas do supermercado, fica na parte de refrigerados!)
• Queijo mussarela em fatias
• Presunto em fatias

Modo de Preparo:

• Separe o queijo, o presunto e a massa e uma superfície limpa (eu usei uma tábua) onde você possa manipular seus canelone
• Na superfície, coloque uma fatia de massa, uma de queijo e uma de presunto, assim uma sobre a outra
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• Enrole até formar um canelone
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• Coloque em uma assadeira ou forma que possa ir ao forno e reserve
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Ingredientes (Molho de tomate):
• 1 lata de tomates pelados (bem mais fácil, dica!) ou 400 g de tomates extremamente maduros (madurões!) sem pele e sem sementes
• 1 dente de alho picadinho
• 1/2 cebola picadinha
• Azeite de oliva
• Manjericão fresco
• Sal e pimenta do reino
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Modo de Preparo:
•  Leve o azeite e o alho ao fogo até que o alho comece a ficar dourado. Adicione a cebola e deixe tudo suar um pouco
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• Junte o tomate. Se for usar o tomate em lata (recomendo), basta colocá-lo com gosto na panela. Se for usar o tomate maduro, corte-o em cubinhos (não esqueça de tirar as sementes e a pele nesse caso!)
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• Deixe cozinhar em fogo baixo até que o tomate se desmanche totalmente. Se precisar, vá colocando água aos pouquinhos durante o cozimento. Mas não é para ficar aguado, hein?
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• Quando estiver bem cozido, com aquela textura e consistência de molho (ainda que com alguns pedacinhos, é assim mesmo!), acrescente o manjericão e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Só coloque o manjericão quando o molho estiver quase pronto ou no lugar de ter um molho super cheiroso e delícia você vai ter um molho com umas folhinhas escuras e quase cheiro nenhum. Vão por mim!
• Esse é um molho rústico e os pedacinhos de tomate e outros ingredientes dão um charme. Mas se você não quiser esses pedacinhos, processe o molho. Mas nada de liquidificador! Use uma peneira larga ou algo assim, bater o molho de tomate no liquidificar deixa ele esquisito

Finalização:
• Coloque bastante molho (sem piedade!) sobre os canelones e polvilhe queijo parmesão ralado (nada de queijo de saquinho com gosto de pum, por favor rale seu queijo! Ou compre aquele ralado do supermercado!) sobre tudo
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• Leve ao forno baixo (180 ºC), preaquecido, por aproximadamente 30 minutos
• Voilà, está prontinho para ser saboreado!
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Author: Mariele Góes

A única constante na minha vida é que gosto de cozinhar. Já tentei ser fotógrafa, já toquei em banda, já ataquei de dj. Me formei em jornalismo e estava indo bem, até trabalhava em uma grande revista nacional, mas achava tudo chato. Resolvi estudar gastronomia como um hobby e de repente me vi totalmente envolvida. Larguei tudo, recomecei do zero e hoje estou radiante por passar 12h por dia de pé, mexendo com fogo e facas. Formada em gastronomia pela Anhembi Morumbi, em São Paulo, e me especializando em cozinha francesa na Ferrandi Paris.

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